quarta-feira, 22 de outubro de 2008

menos um carro!



Aqui no Brasil existem diversas associações que organizam passeios de bicicleta em grupo, uma ótima opção para os inexperientes ou para quem tem medo de circular sozinho por grandes cidades. Os Sampa Bikers, Bikers do Brasil, Star Bikers e Campinas Bike Club são alguns desses grupos. Geralmente, basta entrar em contato, se associar a eles e pronto: você pode sair com os passeios organizados duas ou três vezes por semana.
Assim acontece em várias outras cidades.

Desses clubes de ciclismo, um dos mais conhecidos e antigos é o Night Bikers, de São Paulo. Fundado em 1988 pela fotógrafa e video-repórter Renata Falzoni, o clube passou por um “boom na década de 90”, como conta a própria Renata. “Com o tempo, outros grupos foram surgindo e o Night Bikers foi diminuindo. Hoje a proposta é reunir um grupo de amigos para pedalar à noite”, conta Renata. A história dos amigos é tão séria, que para fazer parte dos Night Bikers, só com convite de um membro e bom preparo físico. “Muitos clubes possuem um guia, que cuida da grupo, presta atenção nos sinais, nos cruzamentos... Assim, dá para pedalar conversando tranquilamente. No Night Bikers não temos mais esse guia”, diz.

Se o sucesso desta iniciativa é algo a se comemorar, Renata deixa claro seu ceticismo em relação à melhoria das condições para quem anda de bicicleta em São Paulo. “Em 35 anos de cicloativismo, a maioria dos projetos de ciclovias foram gorados pela má vontade política aliada ao preconceito contra bicicleta, tudo isso apimentado pelo despreparo profissional dos técnicos para lidar com o assunto”, diz.

Segundo Renata, dos cerca de dois mil técnicos da CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), apenas oito cuidam dos pedestres e ciclistas. “Quando se trata de carros, a CET está a serviço de uma minoria da população, calculada em 20%, mas que ocupa 60% da área urbana e leva o grande filão do investimento financeiro dos cofres públicos”, defende a cicloativista. “Se 33% dos deslocamentos urbanos da cidade de São Paulo são feitos a pé e outros 3% de bicicleta, como apenas oito funcionários podem dar conta desse recado? Não precisa falar mais nada, a estrutura da CET não está voltada ao cidadão, mas sim às máquinas motorizadas”.

Para Renata, as bicicletas só ocuparão as ruas da cidade efetivamente quando forem adotadas políticas públicas de proteção aos ciclistas, bem como a conscientização dos motoristas em relação ao respeito com quem pedala. “Veja bem, falo de transporte e não de “ciclovia” de lazer confinada a parques ou trechos inacabados em canteiros de avenidas. Falo de sistema cicloviário com ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, sinalização, integrado a outros sistemas de transporte e educação de trânsito”, conclui.

Bicicletas em números

Segundo levantamento da Prefeitura realizado em maio de 2006, mais de 250 mil bicicletas circulam todos os dias pelas ruas e avenidas da cidade, apesar dos menos de 30 km de ciclovias existentes na metrópole. Mesmo assim, cresceu o número de pessoas que utilizam bicicleta como meio de transporte. De acordo com a última pesquisa ‘Origem/Destino’ do Metrô (2002), diariamente ocorrem 130 mil viagens de bicicletas na cidade de São Paulo (0,6% do total), um aumento de 100% em relação ao estudo realizado em 1997, quando o uso de bicicletas representava 0,3% do total de viagens realizadas

fonte: blog da LP.

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